Mais um ano se passa e taí mais uma Black Friday, a velha conhecida em boa parte do mundo, que já até virou piada no Brasil (“compre hoje pela metade do dobro do preço!”). Não sei com vocês, mas, uma semana antes, começa a enxurrada de emails na minha caixa, mensagens no celular, propaganda incessante na televisão e nas barras laterais das páginas da Internet, tudo pra me empurrar pra gastar, porque, afinal de contas, o preço estará ótimo. E a sensação que bate é que, se não compro nada, nem uma pecinha de roupa, já acho que tô perdendo alguma coisa, já logo me arrependo de não ter gastado nem um centavo. E eu meio que sei que não sou a única…
A realidade é que a grande maioria das pessoas acaba comprando o que não precisa, porque não consegue deixar de entrar num site ou num shopping, porque tem que dar aquela checada, aquela olhadinha, pra ver se não tá perdendo o preço bom. E acaba comprando simplesmente por isso: “porque o preço tava bom”. E isso não acontece só na Black Friday. É comum em outras tantas oportunidades ao longo do ano, oferta de dia disso, promoção de dia daquilo, queima de estoque de verão/inverno e vai todo mundo ver se tá valendo a pena gastar.

Nos anos em que morei em Barcelona, tive a experiência de vivenciar as super “rebajas“, a grande promoção que rola duas vezes por ano. Havia gente que tirava férias pra estar livre no primeiro dia das rebajas, pra estar lá na porta da loja, pra não perder nem um minuto, pra ter acesso a tudo que havia sido remarcado. Vi várias pessoas com mala de viagem, circulando de loja em loja, comprando como se não houvesse amanhã. Uma verdadeira celebração do consumo pelo consumo. Uma ou duas semanas depois do início das rebajas, começava a enxurrada de devoluções de peças, resultado das aquisições sem um mínimo de critério, nem mesmo aquele mais básico, que é comprar o tamanho certo. Acredite: as pessoas compravam o que nem cabia nelas.
O propósito desse meu texto não é pagar sapo e condenar todos os gastos que você vá realizar na Black Friday ou em qualquer outro momento de promoção. Quero é chamar a tua atenção pros absurdos e dizer que há como aproveitar isso de um jeito legal. O que eu passei a fazer e acho que todo mundo deveria também, pelo bem da conta bancária e do armário, é avaliar de verdade o que você vai comprar. Na minha opinião, ficar feliz porque conseguiu por R$ 20 uma camiseta que custava R$ 50, mas que você simplesmente não precisava levar, é perda de dinheiro.

Antes de sair realizando compras, pare pra avaliar o teu armário, veja o que realmente está em falta nele. Se você já tem 5 camisas pretas, vai comprar a sexta por quê? Por que levar o décimo par de tênis se não há sequer um par de sapatos no teu armário? Comprar um vestido laranja com bolinha rosa, sendo que você curte mesmo é usar calça jeans e camiseta? Tem certeza? Tá segura sobre isso?
Outro aspecto importante na hora de comprar é avaliar as possibilidades da peça ou do acessório com aquilo que você já tem em casa. O que você vai comprar tem que render com o que você já tem e não criar a necessidade de realizar outras tantas aquisições pra que seu uso seja viável. Pra quem é “consumista de raiz”, essa é uma regra de ouro que deve ser priorizada, pra que não caia na tentação de levar mil coisas pra “justificar” o uso de uma outra.
Uma outra dica muito válida pra se aproveitar uma promoção é levar aquele item que você já tinha interesse em adquirir antes da baixa de preço. Sabe aquele investimento que você queria fazer antes, mas achava o preço abusivo ou acima do teu orçamento? Então, a hora de comprar é na promoção, na Black Friday, claro, se o desconto for interessante e valer a pena. Esse tipo de aquisição costuma ser o mais acertado, porque você já avaliou a necessidade do item e tá certo da sua função no teu armário, só faltava a oportunidade.
Por fim, além disso tudo que indiquei, não deixe de analisar também os itens básicos quando se vai comprar roupas e acessórios: caimento, acabamento, tecido/material, custo/benefício, durabilidade. Inté e boas compras!
