Essa curadoria nasceu a partir de um trabalho muito gratificante que desenvolvi com uma cliente real. Eu não me debrucei no tema sem antes ouvir uma pessoa que veste o que se chama de plus size e descobrir umas quantas dores relacionadas ao vestir dela e de tantas outras mulheres. No Brasil, 60,3% da população maior de 18 anos é considerada acima do peso, conforme divulgado pela Pesquisa Nacional de Saúde do IBGE em 2020. A pessoa considerada acima do peso, em geral, veste manequim acima do 44 (GG). Isto quer dizer que a roupa vendida na loja simplesmente não atende a grande maioria da população que precisa se vestir. E tratam a roupa que vai vestir a maioria (repito, a MAIORIA) das pessoas como exceção e dão o nome de plus size. Então, a culpa de você, minha amiga, não encontrar variedade pra se vestir do jeito que quer é da indústria têxtil, que fecha os olhos pra realidade.
Outra descoberta interessante da minha pesquisa foi descobrir o tamanho de roupa mais procurado pelas mulheres tá entre 44 e 48. Em entrevista dada ao podcast Rádio da Costureira, a modelista Marlene Mukai explica que a grade plus size abrange os tamanhos 46 ao 60, com a maioria das lojas especializadas trabalhando com peças até o 56. A Marlene ainda detalha que para produzir peças plus size com bom caimento é necessário melhores tecidos, com maior gramatura. Isso, claro, aumenta o custo de produção – e reduz o lucro de quem produz. E peças com bom desenho plus size têm de ser bem pensadas; não basta só aumentar a largura.
No meu levantamento de grades disponíveis tanto em lojas de departamentos como em lojas de grife, descobri que a maioria trabalha com tamanhos até o 42, com sorte, 44. No primeiro grupo, acredito mesmo que seja por uma questão de não querer reduzir o lucro em cima das vendas, porque produzir plus size barato no fast fashion não é simples. Já as marcas caras e consagradas, eu concluo que seja por gordofobia mesmo, porque cacife pra produzir a roupa eles têm – mas não querem associar suas peças aos corpos gordos. Aliás, elas só querem associar suas marcas aos corpos muitíssimo magros. Numa experiência própria com uma marca italiana conhecida, o tamanho que me serviria seria o 44 pra uma saia (que não existe) – enquanto visto 38/40 noutras marcas menos conhecidas – o que só mostra o total desvio da grade pra atender apenas mulheres magras.
As marcas que indico aqui se mostraram dispostas a entregar qualidade, preço justo, peças bonitas e com desenho interessante. Algumas não são exclusivamente plus size – o que eu acho um ponto ainda mais positivo: a pessoa gorda não quer ser tratada como exceção. Outras se orgulham de serem especializadas em plus size, oferecendo essa espécie de refúgio – o que eu também acho muito importante, porque entendem as questões específicas envolvidas no vestir do público gordo.
Bom, deixo aqui meus cinco centavos sobre o assunto – já que esse não é meu lugar de fala – e uma reflexão pra vocês, consumidoras: não comprem de quem trata vocês como exceção, como um grupo que não merece roupa bem feita pra se vestir. Há muita marca legal realizando um trabalho incrível. Tá na mão de vocês também provocar mudanças no mercado, exigir algo melhor.
Aproveitem a lista. <3 E avisem as amigas, divulguem, passem essa mensagem pra frente pra quem tá desanimada, pra quem tá querendo ampliar o repertório, pra quem tá querendo descobrir novas marcas e, sobretudo, pra quem quer boas peças. : )
Um beijo!

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