
Eu sou o que se define por aí como “heavy traveler” – ou, em bom português, uma pessoa que viaja pra caraR@&*$#@! Primariamente, por minha própria culpa – sou apaixonada por novas descobertas, novos lugares, novos costumes, novas gentes e isso me moveu pra fazer minha primeira viagem bem cedo (algo que nem minha mãe acreditava que eu fosse fazer de verdade). Aos 18 anos, passei a mão na minha parte do seguro de vida deixado pelo meu pai 2 anos antes e fui passar um mês na Europa, sem nunca ter viajado nem pro Rio de Janeiro sozinha (naquela época, ainda vivia em Volta Redonda…). Eu queria estudar inglês e estar em Londres; tudo o que viesse além disso era bônus. Depois, bem depois, arrumei um emprego que me faria viajar muito e viver fora do Brasil – mas isso já é outra história.
E por que tô falando disso, da minha primeira grande viagem? Porque não fazia a menor ideia do que colocar na mala, porque nunca tinha feito uma mala antes. E, claro, empacotei um mundaréu de coisa e mal conseguia me mover pra cima e pra baixo, entrar e sair de trem, subir e descer escadas. Era um quase infarto cada vez que carregava minha mala pesada. Foi quase impraticável. Atrelado a tudo isso, ainda existia a minha mania de comprar tudo o que eu via pela frente, na tentativa de levar “a experiência” pra casa – mas não são as compras que fazem a memória da viagem, né?
Hoje, coleciono 38 países visitados e perdi as contas de quantas vezes entrei num avião ou ônibus de viagem na minha vida. Mas algo aprendi com tanta mala feita em 22 anos de experiência : a quantidade de peças não garante a satisfação das tuas necessidades.
Quando lancei o desafio dos 30 dias com apenas uma mala de bordo neste ano, eu já havia me submetido a uma experiência parecida há alguns anos atrás, quando viajei em pleno inverno europeu por um mês e bagagem de mão que não poderia exceder 10 kg. Foi ali, naquela tentativa, que descobri a primeira chave pro sucesso da mala: entender o que será necessário pra tua viagem. Existem umas perguntas que te ajudam muito a nortear isso, olha só:

- Qual o clima/ estação do ano no período da viagem?
- Quantos dias estarei fora de casa?
- Há possibilidade de lavar roupas durante a viagem?
- Quais serão as atividades desenvolvidas? (Exemplos: Reunião de negócios? Piscina com amigos? Festa formal? Caminhada numa montanha? Bronzear na praia? Andar de museu em museu? Fazer compras? Dormir por 10 horas a cada dia? Esquiar?)
- Que peso de mala consigo carregar sozinha ao subir/descer uma escada? (pode rir… mas isso é de suprema importância!)
- Quantas serão as horas de voo/estrada no deslocamento?
Começando pela terceira pergunta, digo que a chance de lavar roupas ajuda muito pra que você consiga levar poucas coisas e se sinta mais confortável com tuas peças depois de algum tempo. Embora role o cansaço de usar as mesmas coisas por dias, o fato de ter roupas limpas traz tranquilidade e aumenta as tuas chances de não apelar pra compra de novas peças. Pode ser a máquina de lavar na casa de alguém ou numa lavanderia; o que importa é que você tem chance de ter roupa com cheirinho de limpa, renovadas pra aguentar mais uns dias de guerra!
O clima e quantos dias ficará fora também são importantes, na medida em que você tem que estar abrigada ou à vontade e por quanto tempo. No meu caso, eu sabia que estaria fora por 30 dias e isso incluiria cinco cidades e dois continentes diferentes, além de três climas distintos. Empacotei uma calça, um macacão comprido e meia calça, além de um “hoodie” de cashmere, um casaco de nylon leve e uma jaqueta de pluma pra inverno, tudo isso pra não passar frio em Amsterdã. Outro ponto importante era o verão super quente do Rio de Janeiro; daí, preparei shorts, saias, vestidos, camisetas e maiôs. Pros climas de Ouro Preto e São José dos Campos, eu só precisava ajustar as camadas de peças disponíveis.

Enquanto estivesse em Volta Redonda, nos primeiros dias, eu sabia que dormiria um bocado, por conta do jet lag, e que também sairia pra uns rolês mais informais com minha mãe. O Carnaval seria passado em Ouro Preto e outras tantas oportunidades de saidinhas informais estavam previstas. Em São José dos Campos, já estava certo o casamento da minha irmã mais nova, o que demandaria uma roupa específica pra ocasião. No meio do caminho, uma passadinha pelo Rio de Janeiro, só pra relaxar e curtir, e, no final, uma parada de 30 horas em Amsterdã, pra descansar e seguir pra casa. Pronto: a espinha dorsal da viagem estava traçada, com algumas atividades bem delineadas, outras nem tanto, mas, no geral, eu sabia pra quê eventos deveria estar vestida. Isso é de suma importância pra reduzir a chance de ser pega desprevenida. Para atender tudo isso, minha mala incluiu:
- três vestidos pretos: um comprido de alcinha, outro de mangas e curto, um tomara-que-caia longo;
- um short preto denim;
- duas calças tipo legging: uma estampada de preto e branco, outra preta pra malhar;
- um top cinza pra malhar;
- um macacão jeans comprido;
- um body estampado de cores e fundo claro;
- uma camiseta estampada de flores coloridas e listras pretas e brancas;
- uma camiseta preta básica;
- uma blusa de malha fria preta;
- um casaco de nylon preto;
- dois hoodies pretos: um de cashmere e outro de malha sintética;
- duas camisetas de alcinhas, uma branca e outra preta;
- uma saia jeans;
- um casaco curto de plumas verde escuro (daqueles que se dobra e fica do tamanho de uma bolsinha);
- uma saia comprida estampada de zebra, preta e branca;
- um vestido de festa;
- uma calça tipo pantacourt preta;
- dois maiôs, um estampado de preto e branco e outro preto;
- dois pares de tênis: um tipo grandão, outro tipo Vans; um par de sapatilhas amarelas neon; um par de Havaianas pretas; um par de sandálias de salto pra festa;
- dois lenços: um de algodão grande, preto e branco; outro de algodão pequeno e colorido;
- uma bolsa pequena de alças; uma bolsa média branca; uma carteira de festa;
- colares, brincos, pulseiras, meias, roupa íntima.
Levei ainda uma calça tipo pantalona, estampada de bolinhas, e uma camiseta de malha sem manga e listrada; as duas peças nem foram usadas durante a viagem. No total, foram pra mala 15 peças de roupa, sem contar lingerie, meias e vestido de festa, que possibilitaram a criação de mais de 30 looks diferentes. Isso significou mais de um visual diferente pra cada dia que passei fora de casa!
Antes de decidir que peças carregar, pensei nas cores neutras que poderiam compor meu “fundo de mala”. Como vocês podem ver pela lista, elegi preto e branco, mas rosa pálido, bege, off-white, azul marinho, cinza, verde escuro também funcionam como ótimas bases de mala. A partir dessa definição, você consegue escolher as peças que farão parte da viagem, todas coordenáveis entre si. Lembre-se: não coloque na mala peças pouco versáteis, que não possam render looks variados. Peça que só rende um visual limita a eficiência do conjunto.

No auxílio pra fazer mais looks possíveis com o que está na mala, conte com o apoio dos acessórios. Em geral, eles não ocupam tanto espaço, nem representam muito peso, mas são de uma utilidade enorme. Eu não sou ninguém sem meus colares, brincos e pulseiras! Nessa mala, incluí 3 maxi colares, um de metal prateado, um de acrílico colorido e outro com detalhes em preto, além de cordões compridos e mais simples. Levei também algumas pulseiras que me acompanham sempre e uns anéis coloridos que se destacam. Os calçados que escolhi também me permitiram ter looks despojados, mas também mais arrumadinhos. Mais uma vez, você deverá buscar opções que não te limite, mas que te possibilite criar mais com o que está ali na mala.
Para o deslocamento, quando é muito longo, gosto de ter um look específico, que seja confortável e, ao mesmo tempo, que não me deixe parecendo desleixada. Dê preferência para tecidos que não amarrotam facilmente e que possuem algo de elastano na composição. Não se esqueça de que é necessário ter também em mãos, seja avião ou ônibus, alguma peça mais quentinha, que pode ser um casaquinho ou uma echarpe, pra garantir que você não sinta frio.
Por fim, uma última dica preciosa sobre os produtos de beleza e higiene de uso contínuo e os remédios que você toma normalmente. É sempre melhor carregar pequenas quantidades, apenas o suficiente pra cobrir o período em que você estará fora de casa. Jamais leve frascos gigantes de xampu e condicionador, potes grandes de hidratante, bisnagas completas de pasta de dentes. Tenha sempre pequenos frascos pra levar só aquilo que vai precisar. E embale tudo num saco plástico tipo zip, pra garantir que nada vá vazar e sujar as tuas roupas.
E então? Já se sente segura pra preparar tua próxima mala? Conte aí tua experiência; vamos dividir sucessos e angústias por aqui!







